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O Imprescindível vice do Norte

*Goianyr Barbosa é jornalista e consultor político

Por Goianyr Barbosa

15/02/2022 13:42h

A ciência política, cujo marketing está inserido, realizou uma metamorfose nos conceitos, nas práticas, nos modos de fazer política, desobstruiu mentes, colocando-as diante de cenários em que os riscos nas tomadas de decisões estratégicas sejam reduzidos. De modo que, assim como um profissional da medicina só tem condições de saber o mal de um paciente após um exame laboratorial e, com resultados em mãos, receitar o medicamento correto, o profissional da área de marketing, por seu turno, só tomará decisões no sentido de orientar seus clientes e postulantes a cargos eletivos, que caminho e estratégias a serem implementadas, com resultado de pesquisas, prospectadas por institutos de credibilidade. Ora, o tema em tela é a irrefutável importância de um candidato ao governo, fora do norte do estado, contar com um vice desta localidade, em vista do alto índice de eleitores ali residentes, região economicamente forte, além de a cabeça do eleitor, bom que se frise, diferente de outras regiões, ser bairrista, e creditar o seu voto costumeiramente nos representantes da região. Desse modo cultural de votar, com certeza eles não vão abdicar desse direito por tão cedo.

É do território norte tocantinense que surgiu um dos políticos mais atuantes, mais querido, e com uma folha de serviço inquestionável – João Batista de Jesus Ribeiro, o João Ribeiro, que veio a falecer no segundo mandato de senador da República. Outro nome marcante e que tem suas origens políticas no Norte, é o do médico Carlos do Patrocínio Silveira, senador municipalista por dois mandatos, com domicílio em Araguaína. O hoje senador Eduardo Gomes, matriculou-se na política nos anos 80, ocasião em que foi secretário municipal da Educação e Cultura de Xambioá, vindo a ser, em seguida, secretário de Cultura de Araguaína. Portanto, um bom aluno das escolas políticas do norte tocantinense. Já o ex-governador Marcelo Miranda, tem na biografia três mandatos de deputado estadual, cujo domicílio eleitoral continua na cidade de Araguaína. Em suma, não foi por acaso que na eleição para governador, em 1986, o candidato Mauro Borges preferiu ter como seu vice um nome do então norte goiano. O nome escolhido fora o do ex-prefeito de Araguaína, Joaquim de Lima Quinta,

O Norte possui 31,20% de eleitores

O mapa geopolítico do norte tocantinense, no qual uma determinada faixa de terra ficou denominada de Bico do Papagaio, notória pelos conflitos agrários, nas divisas com o Maranhão e Pará, possui grandes diferenciais e peculiaridades com as outras regiões. Na cultura, por exemplo, os moradores herdaram muito das tradições dos estados vizinhos. Já na esfera eleitoral, os eleitores possuem o hábito de depositar o sufrágio em candidatos identificados com a região. De maneiras que esse é o norte tocantinense, com 42 municípios, um pouco mais de 320 mil eleitores, conforme dados projetados pelo TRE-TO para este ano. De fato, a força política está comprovada com uma bancada de mais de um terço dos representantes que compõem o parlamento estadual, a saber: Jair Farias, Amélio Cayres, Fabion Gomes, Elenil da Penha, Jorge Frederico, Olynto Neto, Valderez Castelo Branco, Issam Saado, Amália Santana, além de Luana Ribeiro com laços fortes em Araguaína. Já na Câmara Federal, aquela província sempre manteve a marca de dois representantes, chegando, no entanto, em algumas legislaturas a contar com três congressistas.

Desta forma, com toda essa pujança eleitoral, seria irracional para candidatos fora dos limites daquela região não trabalhar o lançamento de chapas com vices genuinamente do território, que detenham um significativo capital político, perfil agregador, experiência comprovada em gestão, pública ou privada, uma boa imagem como cidadão e homem público, além de outros conceitos que podem ser comprovados com a realização de pesquisas. Igualmente, o candidato a governador que for homologado do Norte, a sua composição de vice e ao Senado, indubitavelmente virá de áreas que tenham forte densidade eleitoral, com divisões que contemplem territorialmente o estado como um todo, porém sem vínculos com a região do candidato ao governo.