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Dia Mundial da Hemofilia reforça importância do tratamento adequado

No Tocantins, pessoas com hemofilia são acompanhadas nos Ambulatórios de Hematologia localizados em Palmas e Araguaína

Por Luís Poeta

17/04/2026 13:08h

O Dia Mundial da Hemofilia, celebrado em 17 de abril, é uma data dedicada à conscientização sobre a hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos hereditários. A hemofilia é uma doença genética caracterizada pela deficiência de fatores de coagulação do sangue, sendo classificada principalmente em hemofilia A (deficiência do fator VIII) e hemofilia B (deficiência do fator IX). Essa condição dificulta a interrupção de sangramentos, podendo causar hemorragias espontâneas ou após pequenos traumas.

No Estado do Tocantins, as pessoas com hemofilia são acompanhadas nos Ambulatórios de Hematologia localizados em Palmas e Araguaína. Atualmente, cerca de 70 pacientes com a patologia recebem acompanhamento contínuo nesses serviços. O cuidado é realizado por uma equipe multiprofissional, composta por hematologistas, pediatras, fisioterapeutas, odontólogos, profissionais de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos, garantindo uma abordagem integral ao paciente.

O gerente do ambulatório de hematologia, José Divino Dias Correia, explica que “o tratamento inclui a dispensação de medicamentos específicos, como os pró-coagulantes (fatores de coagulação) e o anticorpo monoclonal Emicizumabe. No momento, dos 70 pacientes, quatro pacientes utilizam o emicizumabe, enquanto 38 fazem uso de fatores de coagulação em esquema de profilaxia, contribuindo para a prevenção de sangramentos e melhoria da qualidade de vida”.

O Ambulatório de Hematologia de Palmas possui em sua estrutura o laboratório de Hemostasia que auxilia no Diagnóstico de Coagulopatias, dentre elas a Hemofilia. O serviço realiza a análise de exames de dosagem de fatores de coagulação, tempo de tromboplastina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) e dosagem de fibrinogênio, dos pacientes em acompanhamento no Ambulatório de Hematologia.

Sintomas

Nos quadros graves e moderados, os sangramentos repetem-se espontaneamente. Em geral, são hemorragias intramusculares e intra-articulares que, primeiro, desgastam as cartilagens e depois provocam lesões ósseas. Os principais sintomas são dor forte, aumento da temperatura e restrição de movimento. As articulações mais comprometidas costumam ser joelhos, tornozelos e cotovelos.

Os episódios de sangramento podem ocorrer logo no primeiro ano de vida do paciente sob a forma de equimoses (manchas roxas), que se tornam mais evidentes quando a criança começa a andar e a cair. No entanto, quando acometem a musculatura das costas, não costumam exteriorizar-se.

Nos quadros leves, o sangramento ocorre em situações como cirurgias, extração de dentes e traumas.

Tratamento

O tratamento da hemofilia consiste, basicamente, na reposição do fator anti-hemofílico. Paciente com hemofilia A recebe a molécula do fator VIII, e com hemofilia B, a molécula do fator IX. Os hemocentros distribuem gratuitamente essa medicação que é fornecida pelo Ministério da Saúde.

Quanto mais precoce for o início do tratamento, menores serão as sequelas deixadas pelos sangramentos. O paciente e seus cuidadores devem ser treinados para fazer a aplicação do fator em casa.

Em dezembro de 2024, uma criança foi a primeira paciente do Tocantins a receber o novo medicamento Emicizumabe incorporado ao SUS para tratamento de Hemofilia A. O Emicizumabe, é uma medicação de alto custo fornecida pelo Ministério da Saúde (MS). A primeira aplicação aconteceu no Ambulatório de Hematologia de Palmas, localizado no anexo do Hemocentro no Hospital Geral de Palmas (HGP), em um paciente de 1 ano e 2 meses, que faz acompanhamento na Unidade desde os 7 meses até o momento.